História do Galinho de Brasília
Como tudo começou...
Foi a saudade de um grupo de pernambucanos, freqüentadores dos carnavais de Olinda e Recife, liderados por Romildo Carvalho (1926-2000), idealizador e criador do primeiro estandarte do bloco, que fez surgir em 1992, o bloco “Galinho da Madrugada... Por Enquanto”, numa clara alusão ao bloco pernambucano “O Galo da Madrugada”.
“... Galinho, seu estandarte
É mais que arte é emoção...”
(trecho da música Galinho no Frevo – Dinaldo Domingues)
O Galinho nasceu de mansinho, porém, forte o suficiente para continuar espalhando o seu canto por toda a Brasília até o dia de hoje.
Logo após o carnaval de 92, alguns dos foliões participantes desta primeira manifestação do Galinho, em assembléia, fundaram o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina – G.R.E.N – Galinho de Brasília, com o objetivo maior de recuperar para Brasília, e conseqüentemente para o Brasil, os valores das tradições culturais nordestinas, que vão sendo esquecidos, com e pelo tempo. Com o Galinho de Brasília, trazendo o frevo pernambucano, ancorado no bloco O Galo da Madrugada – O maior bloco de carnaval do mundo, e que hoje reúne nada menos que 1.500.000 foliões nas principais ruas e avenidas do Recife, comandados pelo Enéas Freire, seu presidente perpétuo, que aceitou e aceita o Galinho de Brasília como seu primeiro e único afilhado, embora esteja sempre inconformado pelo fato do bloco não se chamar “Galo de Brasília” (ele argumenta que o uso do diminutivo – galinho – dá a idéia de um bloco pequeno)... e nós aqui sempre refutamos, dizendo que o chamamos Galinho, como uma forma carinhosa de tratar o nosso bloco, que assim vai sendo conhecido e reconhecido. Mas, esta é a única divergência entre O Galo da Madrugada e o Galinho de Brasília. No mais, são só convergências, sendo a principal delas o respeito que ambas as agremiações devotam ao frevo, a ponto de não permitirem a execução de qualquer outro ritmo que não seja o frevo em seus carnavais.
O Galinho de Brasília conta hoje com sua própria orquestra de frevos – Orquestra do Galinho – sob a batuta do maestro Vilarin, contando com mais de 30 músicos oriundos, em sua maioria, dos principais focos de execução de frevos no país, quais sejam, as cidades de Marechal Deodoro (AL), Belo Jardim (PE) e Sumé (PB)... Afinal de contas, para que um frevo seja executado, não basta apenas que os músicos saibam ler uma partitura. É preciso que eles tenham nascido com o frevo no sangue... e isto vocês só vão poder conferir e entender, lá no Galinho.
Ah! Não dá para esquecer de mencionar que;
- no Galinho os foliões mais novos começam a participar do bloco com apenas alguns meses após o nascimento;
- que os mais velhos já contam mais de 90 anos de idade;
- que aqueles como a Ana Luiza (aquela que literalmente colocava a “mão na massa” para divulgar o Galinho) - o Júnior (nosso primeiro porta estandarte) – o Humberto (o nosso articulador jurídico, sempre pronto a garantir a saída do bloco) – o Eberardo (o nosso folião símbolo – quem não lembra do padre?) - o velho Romildo ( o nosso grande comandante, o criador do primeiro estandarte, sempre presente no alto do palanque para conferir o movimento) – e alguns outros que “no andar de cima” aguardam ansiosos pela passagem do bloco para brincarem e zelarem pelos que aqui continuam brincando um dos melhores carnavais do Brasil;
- que o nosso carnaval, nestes 12 anos de existência tem se mostrado sempre muito tranqüilo, e onde a principal segurança do bloco está nas pessoas que dele participam, que logo se entrosam e respeitam o espaço dos outros; e
- o resto não dá para contar ... vocês vão ter que aparecer por lá para conferir o porquê do Galinho de Brasília ser tão querido do público brasiliense (... e você vai se surpreender com a quantidade de pessoas que apreciam, curtem, cantam, dançam e amam o frevo!)
Bom carnaval para todos ... e não esqueçam que
“... Tem frevo na rua,
No eixo, no trevo,
No beco, é demais...”
(trecho do Hino do Galinho – Clésio Ferreira)


